A inspiração começa.

parkour

Numa noite de domingo, quando as quase 48 horas longe da tempestade nos revigoram, deixando a clareza passar entre as nuvens; de repente, observando os passos compassados dos pedestres no tablado; na mudança de caminho, no puxar assunto, na escolha da cor da meia; nesses momentos corriqueiros, jobs do dia a dia, a inspiração começa.

E, em outros, não tão corriqueiros assim.

Na imaturidade dos românticos que acreditam numa causa, vão em frente e comprovam a imaturidade dos conservadores que acreditam no lugar comum; no aperto de mãos entre o louco e o anjo, é dólar chegando para turbinar a startup; na coragem para os carros autônomos, na impaciência com os táxis imundos, na criação do dinheiro feito de bits; no barbeiro que compra a mesa de sinuca, no padeiro que abre o drive thru, no açougueiro que inicia o clube de assinaturas; na busca da estética inédita, da frase memorável, da história empresarial a ser escrita, da tendência ainda não trilhada; na Tesla, no Uber, no Spotify; na fotografia histórica da Kodak.

No business de São Paulo, na falência do Rio, na cara de pau de Brasília, em milhões correndo atrás do prejuízo quando não estão correndo atrás da bola; no sobrenatural de quem põe tudo nas mãos de Deus, inclusive a culpa; no natural de quem põe tudo nas próprias mãos e arregaça as mangas; na negociação guiada pela ética, nas Operações da Polícia Federal, na lista de apelidos, na criação do caixa dois, três, quatro milhões de reais a mais e o contrato está fechado; nas barreiras dos impostos, dos juros, dos sindicatos, do muro que é posto diante de cada empresário brasileiro, em cada um existe um atleta de Parkour.

No existencialismo de carne e osso de Sartre, no existencialismo digital de Zuckerberg, no influenciador digital-existencial; no adolescente que cria o App, no casal que casa com o Netflix, na criança que prefere ser YouTuber a ser astronauta; bem antes dos 27 de Barquiat, Hendrix, Janis, Morrison, Cobain, Amy, que clube é esse? no blues, no reggae, no hip hop, no funk, que tiro foi esse? na mente de gênios e de pessoas comuns, simples, reais, o 99% do planeta; no preço, na oferta, no desconto, na parcela, no prazo, no benefício que faz uma TV tela grande significar uma grande mudança de vida para 99% do planeta.

Na pressão, na falta de prazo, de verba, de processo, de informação, na falta do mínimo; na pressão, na verba certa, no processo azeitado, na informação abundante, no comprometimento máximo; no enredo que guia o capitalismo; na bruma do fim do Carnaval, já pensando no enredo do ano seguinte; no resultado do trimestre, já olhando o próximo; no fritar o peixe e olhar o gato, na polivalência competente, one man band; nas pesquisas, nos dados, na performance, do baseline digital ao 30” do velho e eficaz comercial; na confiança entre cliente e agência; na confiança no nosso negócio, cada 1 real investido em propaganda gera 10 reais na economia; na perseverança, no talento, no fazer o talento acontecer.

No cuidado com as pessoas; no buscar entender, reconhecer, apontar o caminho; no início de cada dia, com a gentileza de um “bom dia”; no fim de cada dia, quando a gentileza da vida nos traz um cilindro de oxigênio afetivo, a família, que ajuda a manter a combustão e a razão; no primeiro capítulo de um novo livro, depois que as crianças foram dormir; no capítulo a ser lido; no capítulo a ser escrito; na angústia da mente, da folha, do monitor em branco. Na vida em branco, no dia em que viemos ao mundo. A inspiração começa.

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